Afinal, o que há na França ?

Há mais de 12 dias, a polícia francesa tenta conter os baderneiros nos subúrbios de Paris. A promessa de Chirac é acabar com a violência pela força. Será essa a solução ? O prefeito de Clichy-sous-Bois, cidade de imigrantes no subúrbio parisiense, Claude Dilain, é visto sempre de mãos cruzadas, apreensivo e cheio de dúvidas. Mas com uma conclusão sensata:

"o Estado de bem-estar social hoje da Europa é incapaz de lidar com os imigrantes".

Claude é socialista, criou escolas, indicou líderes juvenis como mediadores, fez planos para desenvolver o sistema de coleta de lixo. Abriu até biblioteca comunitária. Mas parece que não foi suficiente.

A perseguição policial que acabou matando os dois jovens africanos foi apenas a faísca suficiente para alcançar a pólvora da segregação, do desemprego. Uma pequena amostra da tentativa francesa que falhou em integrar esses cidadãos mais pobres e/ou que vieram de outro país. Lembram muito os favelados do Rio de Janeiro, que, por estarem à margem da sociedade, criaram suas próprias leis, em que as autoridades não tem mais acesso. A hora de Paris reverter o quadro é agora, já que a nossa cidade está muito mais longe de qualquer diálogo pacífico.

São necessárias medidas também sobre o crescente preconceito na Europa, pois, na Inglaterra, por exemplo, pesquisas apontaram que 95% de todos os britânicos brancos têm apenas amigos brancos, e que 37% dos moradores não brancos também preferem amizades entre seu próprio grupo, sendo esta tendência que está aumentando, especialmente entre os jovens. Na Holanda, uma bomba foi lançada em uma escola muçulmana, e acharam uma mensagem assinada com os seguintes dizeres: White Power.

As badernas dos estrangeiros acabam fomentando esse preconceito, gerando uma divisão étnica/religiosa dentro dos próprios países. Mais um preço pago pelo neoliberalismo... mais um preço pago pela globalização. Nova chance da esquerda mundial rever seus valores e apresentar soluções aos excluídos.


Leandro Medeiros

 Escrito por Mensageiros da revolução às 10h19
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Aux armes citoyens...

por Izaías Almada

Não sei muito bem o porquê, mas do jeito que anda a situação mundial e em particular a brasileira, de vez em quando os versos da Marselhesa me vêm à memória, numa lembrança à primeira vista descabida para os dias que correm, não só pelos mais de 200 anos daquele memorável fato histórico que foi a Revolução Francesa de 1789, mas também pelos diferentes e atuais impasses do neoliberalismo capitalista, já tão distantes dos pressupostos revolucionários franceses. Mas – e é curioso registrar - talvez não tenha sido por mero acaso que os defensores do “não” francês à Constituição Européia tenham comemorado o resultado que lhes foi favorável em plena Praça da Bastilha em Paris. Emblemático. Pelo menos para a esquerda.

Enquanto isso, já que a Holanda três dias depois aumentaria o coro dos que na Europa vêem com outros olhos a tal constituição neoliberal e intervencionista, o Brasil – invariavelmente na contra-mão da História - conseguia aumentar o seu número de títulos socialmente indesejáveis e cruéis: campeão da desigualdade social e da infância subnutrida. Isso mesmo: enquanto os nossos bancos têm lucros astronômicos a cada trimestre do ano e aumentamos o superávit primário (Alô ministro Palocci, que maravilha, não?!), o país aumenta a sua performance em desigualdade social, com os ricos cada vez mais milionários e os pobres cada vez mais miseráveis; enquanto butiques da moda constroem novas, indecentes e suntuosas lojas em São Paulo, nossas crianças estão cada vez mais subnutridas... O cinismo entre nós não tem limites. A alienação da sociedade brasileira rica e bem alimentada em relação às mazelas nacionais chegar a dar engulhos. E é aí que mais uma vez os tais versos da Marselhesa martelam as cordas da minha memória.

Comparações, contradições, cinismos e memórias à parte, a maré não está para peixe. O governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva está cada vez mais refém da imprensa venal e dos hoje mais de “300 picaretas do Congresso Nacional” (a frase não é minha, é bom lembrar). Não governa, pois tem que passar 24 horas do dia tentando achar meios de manter a “governabilidade” em acordos e alianças com gente desclassificada. A pilantragem está deitando e rolando. E 2006 se aproximando. Mas ruim com Lula, pior sem ele, a não ser que os ideologicamente puros e a esquerda conseqüente do PT e fora dele apresentem alternativas concretas para as eleições que se aproximam. Elas existem fora das discussões acadêmicas? Das convenções partidárias? Das páginas dos jornais ou das tribunas do congresso? Se existem, quais são? E que venham a público já e com bastante clareza.

A Venezuela e penso que agora também a Bolívia são dois exemplos para nossa reflexão e aqui bem próximos, na América Latina. Exemplos de quê? Exemplos de luta do povo por sua dignidade, de luta para a construção de sociedades livres e soberanas. Liberdade e soberania que se conquistam nas ruas e não apenas nos conchavos de gabinete, pois nesses a direita tem sido mais esperta e poderosa. E, se necessário, será também antiética, selvagem e belicista. A nossa América Latina tem vários exemplos a dar em sua história do século XX, a maioria deles amparados e vigiados pela ‘democracia’ norte-americana de ontem e que se quer perpetuar hoje em Fort Lauderdale. Essa democracia que quer se impor pelas armas, pela política suja da CIA, pelas torturas em Guantánamo e em Abu Ghraib. E que ajudou a montar a Operação Condor nos anos 60/70.

Se estivermos no Brasil sendo sedados e condenados a esse tipo de democracia, burguesa e neoliberal, que prevê a alternância de partidos no poder (e prevê também a liberdade de imprensa e de opinião apenas para enaltecê-la, não sejamos cínicos!), a pergunta óbvia que se faz é a seguinte: alternância de quais partidos, esses que aí existem? Isso é, no mínimo, dadas as atuais circunstâncias da nossa prática político-partidária, nos condenarmos como nação e como povo. Partidos fisiológicos, em sua grande maioria, sem identificação com a sociedade brasileira, que sobrevivem como cabides de empregos e lobbies para as grandes maracutaias nacionais, estaduais e municipais. Homens, em sua grande maioria, despreparados para o diálogo, para a própria ‘democracia’ que defendem, despreparados para o entendimento e resolução dos verdadeiros problemas sociais do país.

Estamos a pouco mais de um ano das eleições presidenciais e o país pode voltar a cair nas mãos dos adoradores diretos do neoliberalismo global, agora sob a direção de um curioso consórcio FHC/Henry Kissinger, essas parcerias tão a gosto do nosso aculturamento caboclo e seus fiéis porta vozes (alguns ainda enrustidos) na mídia nacional. Ainda falta para esse pessoal privatizar a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, entregar definitivamente a Amazônia para o capital estrangeiro (que já exige autorização norte-americana para livre circulação em determinadas áreas da região) e assim continuarmos a ser isso que sempre fomos: o quintal mais dócil e atrativo para os grandes capitais internacionais...

E construir mais butiques de luxo para o gozo de menos de 1% da população brasileira. Até quando? Até quando vamos ter que engolir tanta insensibilidade, tanta arrogância, tanta ganância, tanto desprezo pelos menos privilegiados?

Uma brisa leve (e que pode prenunciar um vendaval) de discórdia contra o discurso de frases feitas do neoliberalismo e de indignação contra a injustiça e a desigualdade social, contra a manipulação de idéias que se colocam a favor de um sistema econômico concentrador e perverso, está soprando por toda a América Latina, do México à Patagônia. O Brasil não pode e não deve ficar indiferente a isso. Nosso compromisso, como cidadãos conscientes e progressistas, é com uma América Latina livre e soberana, onde os valores do trabalho, da justiça social, da solidariedade entre nossos povos prevaleçam. Que a verdadeira integração latino-americana se dê pela harmonia do trabalho e não pela desarmonia do capital. Soberania não se negocia, conquista-se.

E se não fui suficientemente claro, digo-o em outras palavras: com a perspectiva de uma resistência efetiva aos já comprovados e danosos efeitos da política neoliberal em seu quintal, os EUA, com a possibilidade concreta de uma nova vitória de Chavez na Venezuela e de Lula no Brasil em 2006, a quase certa vitória de uma candidata socialista no Chile, com Tabaré Vasquez no Uruguai e a indefinida situação na Bolívia pelo meio, além de Obrador no México, Washington tem que apostar pesado nos tucanos de FHC para fazer uma cabeça de ponte política confiável, já que a cabeça de ponte militar já está instalada na Colômbia. A guerra contra a reeleição de Lula está nas ruas ou, na pior das hipóteses, anunciada nas páginas da VEJA e da Folha de São Paulo.




 Escrito por Mensageiros da revolução às 22h33
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Rumos de um mundo sem rumo

Muita gente esteve presente no enterro do Papa. Na verdade, uma grande parte do PIB mundial. Só que a história que se desenha, com suas várias contradições, aponta como hegemonia no século XXI um país asiático, de apenas 100 milhões de católicos entre 2 bilhões de seres humanos, de maioria atéia e budista. Escrevo sobre a China, lugar em que a Igreja católica e os muçulmanos não obtiveram muito êxito no aumento de seus rebanhos.

Acredito que nem Marx, nem Freud, nem Nietzsche, nem Einstein, juntando os seus conhecimentos, seriam capazes de adivinhar o que vai ser desse mundo globalizado. Alguns teóricos das relações internacionais dão seu chutes, mas alguns são tão furados que apontam até o “fim da História”. Na verdade, o sistema capitalista de mercado, a ciência e a religião estão cada vez mais atritantes, e todas as descobertas e desafios do novo mundo perpassam por eles, dando margem a possíveis acontecimentos caóticos num sistema anárquico internacional.

Ninguém hoje pode afirmar, com absoluta certeza, o que a morte desse último papa simbolizou (e simbolizará) para as civilizações ocidentais. Será que o sistema selvagem vai continuar sendo a bola da vez, e cada vez com menos limites ? O ópio religioso estará entorpecendo cada vez mais ? Será o crescimento das idéias e conceitos primitivos do catolicismo, que sempre apoiou ditaduras militares e lutou contra quem tentou mudar o sistema ?

Não é interessante imaginar como será a globalização na China daqui há poucos anos ? Um chinês na capa da Forbes, deixando Bill Gates no chinelo, milhões de miseráveis nas ruas (efeito colateral) tirando fotos de seus companheiros pelo celular. O dragão talvez comece a se transformar em uma nova águia.

Lacan, psicanalista famoso por reelaborar as idéias de Freud, disse que Marx escreveu o Evangelho da Era Capitalista. Considerando que suas palavras estão certas, alguém se arriscaria à dizer onde se dará o apocalipse, já que este não ocorreu no século XX americano, como presumido pelo teórico? 

Se for na China mesmo, talvez apareça um novo Mao, ou o super-homem idealizado por Nietzsche, que liderará a virada da nossa espécie após o contato com Buda e Zaratustra. Finalmente, o Deus ocidental estará morto. Mas, se Marx e Nietzsche estiverem errados, a primeira missa em Marte poderá será realizada por um padre mesmo.

No campo científico x religioso, se a tradição se mantiver, qualquer dia desses um biogeneticista fará sua própria cópia, e os religioso apontarão como centelha do criador. No macrocosmo, aos desvendarem novos sistemas galácticos, também acharão Deus o responsável por tal complexidade. Quando conseguirem controlar a magnitude de um buraco negro, Einstein se retorcerá no túmulo, lamentando a perda da descoberta para o Dono do Mundo. Alguém se habilita a dizer o que acha que virá pela frente nos próximos anos ?

Leandro Medeiros.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 10h56
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O Fantasma da Liberdade

Ele convoca os povos do mundo a lutar contra a tirania e pela liberdade, a única “força na história capaz de pôr fim ao reino do ódio e do ressentimento, de expor as pretensões dos tiranos e recompensar as esperanças das pessoas decentes e tolerantes”; condena as “ideologias que alimentam o ódio”; afirma que a sobrevivência da liberdade em seu próprio país “depende cada vez mais do sucesso da liberdade em outras terras”; condiciona a possibilidade da paz no mundo à “expansão da liberdade em todo o planeta”; propõe a interlocução pacífica entre as nações, pois “a liberdade, por sua natureza, precisa ser escolhida e defendida por cidadãos e sustentada pelo domínio da lei e com plena proteção às minorias”. Em nome desses ideais, “encorajaremos as reformas de outros governos deixando claro que o sucesso em nossas relações requererá tratamento decente do povo de cada país por seus governantes. A crença na dignidade humana orientará nossas políticas, mas os direitos precisam ser mais que relutantes concessões de parte dos ditadores; eles são garantidos pela liberdade de dissensão e pela participação dos governados. Em longo prazo, não existe justiça sem liberdade e não pode haver direitos humanos sem liberdade humana”.

Nem Lênin nem Che Guevara: trata-se do discurso de posse do segundo mandato de George Bush júnior, proferido no último 20 de janeiro. De um total de 2.140 palavras, Bush usou 44 vezes “liberdade” e cinco vezes “tirania”. Nada falou sobre “terrorismo” nem “armas de destruição em massa”. É um discurso de alguém que se situa na vanguarda dos acontecimentos. Bush promete nada menos do que uma revolução nas relações internacionais e nada indica que esteja blefando. Muito ao contrário. Seu discurso guarda uma extraordinária coerência, nos planos ideológico e estratégico, com a linha neoconservadora por ele implementada na Casa Branca, e elucida o sentido da convocação para o poder de seu círculo mais íntimo de amigos, incluindo Condoleeza Rice, promovida ao cargo de secretário de Estado. Trata-se de mobilizar a opinião pública com uma retórica de força, ignorar estruturas do direito internacional construídas ao longo das últimas décadas e de dar a si próprio o poder de polícia do mundo, legitimado em palavras de ordem de valor tão genérico e universal como “viva a liberdade” e “abaixo a tirania”. É, precisamente, a mesma lógica que determinou o bombardeio do Afeganistão e a invasão do Iraque.

Bush reivindica para si a mais radical tradição democrática de seu país, bem como reafirma a convicção de que Washington é portador do “destino manifesto” de liderar as demais nações. “Os interesses vitais dos Estados Unidos e as nossas mais profundas crenças agora se confundem. Desde o dia de nossa fundação, proclamamos que cada homem e cada mulher nesta terra é dotado de direitos e dignidade e valor sem par, porque foram feitos à imagem do criador do céu e da terra. Ao longo de muitas gerações, temos proclamado o imperativo do autogoverno, porque ninguém está apto a ser mestre e ninguém merece ser escravo. Levar adiante esses ideais é a missão que gerou nossa nação. É a honrosa realização de nossos ancestrais. Agora, tornou-se requisito urgente para a segurança de nossa nação e uma tarefa essencial de nossa era.” Ironicamente, nenhum outro presidente atacou tão profundamente as instituições democráticas estadunidenses. Em nome da liberdade, Bush confere poderes extraordinários à polícia, autoriza o uso da tortura, ignora as liberdades civis.

O mesmo discurso libertário – e isso é o mais importante, do ponto de vista da política internacional – é utilizado para justificar, previamente, eventuais intervenções da Casa Branca em qualquer parte do planeta:
“Assim, é política dos Estados Unidos procurar e apoiar o crescimento dos movimentos e instituições democráticos em todos os países e culturas, com o objetivo último de pôr fim à tirania em todo o mundo.
Essa tarefa não deve ser realizada primordialmente pela força das armas, ainda que pretendamos defender nossa terra e os nossos amigos com o uso de armas, quando necessário. (...) Nosso objetivo é ajudar os demais a encontrar suas vozes, conquistar sua liberdade e agir a seu modo. O grande objetivo de pôr fim à tirania é um trabalho concentrado que vai levar gerações. (...) Persistiremos em apresentar com clareza a escolha que cada governante e cada país precisa enfrentar: a escolha moral entre a opressão, que é sempre errada, e a liberdade, que é eternamente certa.”

Em um dos trechos mais significativos do discurso, Bush praticamente convoca à rebelião as forças consideradas aliadas, mas em situação de oposição aos seus respectivos governos:
“Todos os que vivem sob tirania e desespero devem saber que os Estados Unidos não ignorarão sua opressão ou perdoarão os opressores. Quando vocês se erguerem pela liberdade, nos ergueremos com vocês. Os reformistas democráticos que enfrentam repressão, prisão ou exílio devem estar cientes: os Estados Unidos sabem quem vocês são, e os vê como futuros líderes de seus países livres. Os líderes de regimes ilegais devem saber que continuamos a acreditar no que Abraham Lincoln acreditava: ‘Aqueles que negam liberdade aos outros não a merecem para si; e, sob o domínio de um Deus justo, não poderão mantê-la’. Os líderes de governos com antigos hábitos de controle devem saber: para servir aos seus povos, precisam aprender a confiar neles. Comecem essa jornada de progresso e justiça, e os Estados Unidos caminharão ao seu lado.”

Claro que entre os “reformistas democráticos” contam gente como o megaempresário venezuelano Gustavo Cisneros, a máfia cubana exilada em Miami, políticos e empresários do Oriente Médio e da Ásia que “colaboram” com a CIA, à espera de uma oportunidade para serem empossados em cargos de direção em seu próprio país – como aconteceu com Hamid Karzai (Afeganistão) e Iyad Alawi (Iraque). E entre os “ditadores” estão Fidel Castro, Hugo Chávez e todo e qualquer outro regime que não aceite o mandato da cartilha protestante fundamentalista. Claro, também, que “liberdade” e “justiça” são, antes de mais nada, a liberdade e a justiça de mercado, em nome das quais Bush cortou ainda mais radicalmente os impostos cobrados aos ricos, acentuou as características especulativas da economia globalizada e subordinou a sua política externa à geoeconomia do petróleo e outras fontes de energia.
Bush não apenas fala sério, como se mostra disposto a mobilizar a maior potência militar e econômica do planeta para fazer valer a sua plataforma:
“Peço que nossos cidadãos mais jovens acreditem no testemunho de seus olhos. Vocês viram o dever e o orgulho nos rostos determinados de nossos soldados (em missão no Iraque). Vocês viram que a vida é frágil, o mal é real, e a coragem triunfa. Façam a escolha de servir a uma causa maior do que suas necessidades, maior do que vocês e, nos dias que vivemos, vocês não só acrescentarão valor ao seu país, mas também melhorarão seu caráter. Os Estados Unidos precisam de idealismo e coragem, porque temos tarefas essenciais a realizar em casa, o trabalho inacabado da liberdade.”

É sempre arriscado fazer previsões, ainda mais no terreno pantanoso da política, mas aqui vai uma: o discurso de posse de Bush está destinado a ser considerado um dos mais importantes entre todos os pronunciados na Casa Branca. Ele é uma plataforma estratégica de mobilização permanente, muito ao estilo de outros regimes totalitários que se enxergam como força motriz da revolução mundial, em nome de valores supostamente universais. Este é, aliás, um traço fundamental do totalitarismo, como mostra Hannah Arendt. No momento em que o mundo comemora os sessenta anos da libertação de Auschwitz, o “fantasma da liberdade” evocado por Bush anuncia futuras catástrofes.

José Arbex Jr, jornalista.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 15h41
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Contra a Violência

Solidariedade e paz” é o tema da Campanha da Fraternidade deste ano, que teve início na Quarta-Feira de Cinzas e irá até o Domingo de Páscoa. A promoção é do Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), que reúne as Igrejas católica, católica ortodoxa siriniana, cristã reformada, episcopal anglicana, evangélica de confissão luterana, metodista e presbiteriana unida.

 

O documento-base, encontrado em livrarias religiosas, traz dados estarrecedores: a cada 7 segundos morre uma criança de fome; para cada dólar que a ONU gasta em missões de paz, o mundo investe US$ 2 mil em guerras; em 2003 o total mundial de gastos militares somou US$ 960 bilhões; as minas terrestres causam 55 mil vítimas anuais.

 

Quanto ao Brasil, a Campanha da Fraternidade alerta: “nossa economia não está organizada para atender às necessidades e direitos básicos das classes populares.” De 1993 a 2002, o número de jovens de 15 a 24 anos cresceu 88,6%. Muitos não terminam o ensino fundamental e dentre eles figura a maioria dos assassinos e dos assassinados.

 

A PM do Rio matou 1.195 pessoas em 2003, ou seja, 3 vítimas por dia. Dessas, 65% não tinham antecedentes criminais e 61% dos mortos receberam tiros na cabeça e nas costas… A reforma agrária está por ser feita, a violência rural recrudesce, a violência cultural penaliza indígenas, negros, mulheres, homossexuais, portadores de deficiências, egressos penais e minorias étnicas.

 

Para as sete Igrejas cristãs, a violência estrutural revela a sua face cruel na desigualdade social. Cinco mil famílias brasileiras, o equivalente a 0,01% da população, têm em mãos um patrimônio de R$ 700 bilhões (média de R$ 140 milhões por família).

 

A violência onera o Brasil em 10,5% do PIB, cerca de R$ 160 bilhões por ano. Apenas em gastos de saúde o seu custo é de 1,9% do PIB, aproximadamente R$ 30 bilhões.

 

No âmbito doméstico, a violência atinge proporções preocupantes. Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de crianças e jovens de 5 a 19 anos. A maior parte ocorre dentro de casa. O Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes são espancados em nosso país. Todo ano cerca de 2,1 milhões de mulheres sofrem espancamento em mãos de maridos, ex-maridos ou namorados, o que equivale a 4 mulheres agredidas por minuto.

 

Diante desse quadro dramático, a Campanha da Fraternidade nos convida a tecer vínculos de solidariedade e, através da justiça e do direito, construir a paz. Paz não é ausência de conflitos. “Trocar a utopia da harmonia planetária – diz o documento – pela tranqüilidade do condomínio fechado, erguer muros materiais ou simbólicos para não ver o mundo se deteriorando, fechar as janelas do carro, é aceitar uma vida mal-vivida”.

 

A violência se enfrenta com indignação, reconhecimento dos direitos de todos, superação da fome e da miséria, justa distribuição de renda, preservação do meio ambiente e o efetivo exercício da cidadania ao alcance de todos. Sobretudo através da não-violência ativa, a exemplo de Mahatma Gandhi (1869-1948) e Martin Luther King (1929-1968). O primeiro era hindu, o segundo, batista. Seus testemunhos em favor da justiça e da paz se somam ao de madre Teresa de Calcutá (católica), Albert Schweitzer (luterano), dom Helder Camara (católico), Desmond Tutu (anglicano) e Nelson Mandela (metodista).

 

O exemplo mais significativo do que é solidariedade na construção da paz é a parábola do Bom Samaritano (Lucas 10). Nela Jesus responde à pergunta: o que significa amar o próximo? Próximo não é o meu parente, aquele que conheço e está perto de mim. É o necessitado, o pobre, o saqueado, o espoliado, o marginalizado que não conheço e, no entanto, modifico o meu caminho (conversão) para libertá-lo da opressão. Assumo como minhas as dores dele. Faço-me próximo a ele. Cuido até que possa caminhar pelas próprias pernas.

 

Ouçamos o apelo e a proposta da Campanha da Fraternidade, pois não haverá paz no futuro se não houver justiça no presente. Hoje, o novo nome da Fraternidade, prenunciada pela Revolução Francesa como um dos três valores da cidadania, ao lado da Igualdade e da Liberdade, é Solidariedade.

 

Frei Betto.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 10h59
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De camisa amarela volto aos velhos carnavais

Por Arnaldo Jabor.

Carnaval para mim era o cheiro. Até hoje, quando penso nos carnavais do Rio da minha infância, lembro do cheiro do lança-perfume. O lança-perfume era tudo. Havia uns em vidro, frágeis como ampolas, mas o belo símbolo do carnaval era o Rodouro Metálico. Até hoje me irrita pensar que baniram essa linda arma da alegria no "tríduo momesco", como os barrocos cronistas chamavam o carnaval. Era um tubo dourado, grosso, que ejetava o fino jato de éter que gelava o dorso das odaliscas e havaianas adolescentes que se torciam em risos trêmulos. O perfume flutuava pelas avenidas e crescia como uma aragem geral, como uma nuvem de felicidade salpicada de pontos coloridos de confete e rasgada por serpentinas, envolvendo tudo numa espécie de ar condicionado com flores invisíveis. Levávamos os tubos dourados como uma arma na mão e, com os lenços encharcados, cheirávamos o éter e delirávamos, tropeçando pelo salão, vendo o mundo girar, os tambores ressoando lentos e surdos, a multidão passando numa ventania colorida, os cantos misturados em uivos longínquos. Quando proibiram o Rodouro Metálico - acho que foi na ditadura -, senti que alguma coisa se perdeu na alegria das avenidas.

O carnaval deixou de ser dos "foliões" (dos "loucos" das "folies bergères") para ser um espetáculo para os outros; o carnaval deixou de ser vivido para ser olhado. O carnaval virou uma ostensiva competição de euforia, uma horda de exibicionismos sexuais, uma suruba iminente sem o sensual perfume do passado. Carnaval sempre foi sexo - tudo bem - mas, antes, havia uma doce inibição no ar, havia a suave caretice, uma moralidade mínima, havia cortesia, havia clima de amor nos bailes e não a desbragada orgia sem limites. Hoje, há algo de decadência, de compulsivo, uma alegria brigatória. Hoje, há os corpos malhados, excessivamente nus, montanhas de bundas competindo em falsa liberdade, pois ninguém tem tanto tesão assim, ninguém é tão livre assim. Falta a celulite, falta o mal jeito, falta o medo, a ingenuidade, o romantismo, falta Braguinha, falta Lamartine Babo, falta Mario Lago.

Outro dia, vi, com êxtase, umas cenas em tecnicolor que o Orson Welles rodou no carnaval do Rio de 42. Como todos eram fraquinhos, magrinhos, com as fantasias pobres, improvisadas... Mas, justamente nessa precariedade estava um Brasil que se foi perdendo na monumentalidade da ditadura, do "milagre" brasileiro, uma beleza simples que sumiu "no turbilhão da galeria", como cantava a letra de Camisa Amarela, de Ary Barroso - síntese do velho carnaval popular.
O carnaval virou um tema para o mercado, para as empresas, os pacotes turísticos; o carnaval virou um produto. Por isso, eu tenho saudades da inocência perdida do passado. Lembro das marchinhas toscas que começavam a tocar nos rádios por volta de dezembro, lembro das bobas fantasias - legionários, piratas, caubóis - influenciadas pelos filmes americanos, lembro da Casa Turuna na cidade, com máscaras penduradas, morcegos, pretos velhos, fantasmas, lembro das escolas de samba a pé na Avenida Presidente Vargas, um bando de índios de bigode e penas de espanador, pintados de preto, seguidos pelas gordas baianas cobertas de balangandãs, a multidão olhando, apanhando dos cassetetes da PE, a temida Polícia Especial de boinas vermelhas e Harley-Davidsons. Os PEs baixavam o cacete nos populares, mas mesmo assim eram amados pelos espancados, que neles viam leais e heróicos homens da lei.

Dirão meus inimigos: esse idiota está louvando o atraso. Estou sim. Naquele atraso havia ainda uma preciosa alma brasileira, um ritmo humano de esperança que se via não só no carnaval, mas no futebol, com Ademir e Zizinho geniais disputando o Vasco e Bangu, sem Kalunga ou Lubrax sujando-lhes as camisas sagradas, esperança que se via nos bondes, nos botecos, nos caixotes dos bicheiros nas ruas, nas cadeiras da calçada e até nas favelas líricas e sem droga, sem crimes hediondos.

Nossa fraqueza nacional devia ter sido curada por outros métodos; não pela violência das mudanças que a ditadura trouxe e que, depois, a globalização americana sacramentou. Não se desenvolve a delicada alma de uma cultura pela massificação indiscriminada, do jeito que os milicos destruíram o espaço entre São Paulo e Rio com as usinas nucleares, destruíram Sete Quedas, rasgaram a Amazônia. Voltarão meus inimigos: "Isso é o óbvio, outros já disseram." Mas, o óbvio tem de ser repetido, pois nele está a moradia das verdades camufladas.

O carnaval de hoje é um grande tumulto. Parece uma calamidade pública musicada por uma euforia desesperada e disputada pelo narcisismo oportunista de burgueses e burguesas se despindo para aparecer na TV. Para descobrir um carnaval mais puro, há que ir à Mangueira, às velhas-guardas, aos blocos de sujos das ruas pobres, aos clowns ("clovis") de Santa Cruz (ainda os há?); em suma, há que ir aos detritos que sobraram dos anos 40 e 50, assim como olhamos velhas fachadas entre prédios modernosos. Não há mais músicas de carnaval. Notaram? Pra quê? Só há os corpos, as alegorias, as multidões enlouquecidas sem cabeça. Quando passam as baterias das escolas, quando uns garotos sambam no pé, ainda vislumbramos alguns traços de beleza autêntica.
Dirão que sou um estraga-prazeres publicando este artigo bem no fim do tríduo momesco. Danem-se; tenho vontade de chorar quando lembro de um Brasil que estava seguindo seu rumo próprio, feito de toscos sambinhas, de permanências coloniais, de equívocos... e que de repente se viu jogado num progresso vertiginoso que não era o seu, num crescimento desconstrutivo e bruto.

Em matéria de saudades, sou nacionalista.

Tenho vontade de botar uma camisa amarela, sair com um reco-reco e um pandeiro na mão e sumir no turbilhão da galeria da minha vida que já passou.

Arnaldo Jabor.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 10h58
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Leste-Europeu e a incompatibilidade neoliberal

RETROCESSO HISTÓRICO: PARTE I

Europa Oriental: 15 anos depois, a dura realidade

Por Marc Vandepitte

A instauração do capitalismo significou um retrocesso para todos os países da Europa Oriental, tanto no plano econômico quanto no social. Um relatório das Nações Unidas declara: "A mudança de uma economia planificada para uma economia de mercado foi acompanhada de grandes mudanças na divisão da riqueza nacional e no bem-estar social. As estatísticas mostram que são as mudanças mais rápidas jamais registradas. Isso é dramático e acarretou um custo humano elevado".

Entre 1990 e 2002, o produto interno bruto (PIB, o conjunto de bens e serviços produzidos em um ano) por habitante dos países da Europa Oriental diminuiu em 10%, enquanto em países de nível comparável o aumento no mesmo período do PIB foi de 27%. Isso representa uma perda efetiva de quase 40%. Essa regressão vale para todos os países, salvo Polônia e Eslovênia. Hoje, o PIB per capita dos antigos países comunistas da Europa Central e Oriental é 25% menor que o da América Latina. Para as repúblicas da ex-União Soviética a situação é mais dramática ainda. Nos anos 90 o PIB caiu em 33%. A Ucrânia teve, inclusive, uma diminuição de 48% entre 1993 e 1996, e a Rússia teve de 47%.

As ações das empresas Estatais foram vendidas a preços ridiculamente baixos, uma grande parte do poderoso aparato econômico e industrial foi desmantelada. Em alguns anos, a grande potência industrial que era a Rússia se converteu em um país do Terceiro Mundo. O seu PIB (144 milhões de habitantes) é mais baixo que o dos Países Baixos (16 milhões de habitantes). A União Soviética retrocedeu economicamente em uns 100 anos. No momento da revolução socialista, em 1917, o PIB per capita era de 10% em relação ao dos americanos. Em 1989, apesar do fato de a União Soviética ter deixado a Segunda Guerra esgotada e praticamente destruída, o PIB per capita alcançava 43% do índice dos americanos. Hoje, o PIB per capita russo é menor de 7% do índice dos cidadãos dos EUA.

A situação social

Cerca de 150 milhões de habitantes da ex-União Soviética (isto é, o número de habitantes de França, Reino Unido, Países Baixos e Escandinávia reunido) desapareceram dentro da pobreza nos princípios dos anos 90. Hoje vivem com menos de 4 dólares por dia. O número de pobres que vivem com menos de um dólar por dia se multiplicou por vinte. Na Bulgária, Romênia, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Turcomenistão, Uzbequistão e Moldova o número de pobres atinge de 50% a 90% da população.

 

Segundo um estudo recente da Unicef, um em cada três crianças dos antigos países do Leste Europeu vive hoje na miséria. Um milhão e meio de crianças vivem em orfanatos. Na Rússia, o número de crianças abandonadas foi duplicado, apesar da forte diminuição da taxa de nascimentos. Em Bucareste, capital da Romênia, centenas de crianças vivem nas ruas e mais de 100 mil abandonadas. E no antigo Bloco Oriental mais de 100 mil delas foram empurradas para a prostituição. Os cuidados médicos e sociais com as crianças foram quase inteiramente desmantelados. Para muitas mulheres, a mudança para o capitalismo foi também uma verdadeira catástrofe: "Um numero crescente de mulheres é vítima da violência. Muitas mulheres que procuraram desesperadamente por trabalho e por uma vida melhor foram empurradas para a prostituição, organizadas por máfias". A cada ano, aproximadamente, meio milhão de mulheres da região é literalmente exportado para os países da Europa Ocidental .

Antes da passagem para o capitalismo, a região vivia um bem-estar social garantido. Um relatório das Nações Unidas descreve: "Antes dos anos 90, as condições sociais nos países da Europa Central e Oriental e nos países da CEI eram notavelmente boas. Havia uma grande segurança social como base. O emprego era garantido por toda a vida. Da mesma forma, se a renda monetária era baixa, era estável e segura. Muitos bens de consumo e serviços básicos eram subsidiados e o abastecimento era regular. Havia alimentação suficiente, roupas e moradias. O acesso à educação e à saúde era gratuito. A aposentadoria estava assegurada e as pessoas podiam desfrutar de outras formas de proteção social". O relatório continua: "Hoje, uma educação satisfatória, uma vida sã e uma alimentação suficiente não estão asseguradas. A taxa de mortalidade aumenta, novas epidemias potencialmente destruidoras ameaçam e tornam a vida (e a sobrevivência) num crescente e alarmante perigo".

Uma conseqüência: certos países dramaticamente perdem população. Na Ucrânia, a população diminuiu em 1,2 milhões de pessoas desde o ano de 1991. Na Rússia, entre 1992 e 1997, em 5,7 milhões, apesar da chegada de 3,7 milhões de imigrantes de países vizinhos. O que quer dizer que a cada dia que passa há menos 3,5 mil russos no país. As Nações Unidas estimam que, se a atual tendência não se inverter a população dos antigos países do Leste Europeu terá diminuído 20% em 2050 em relação aos dias de hoje. De 307 milhões de pessoas, passarão para 250 milhões.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 11h06
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Retrocesso Histórico

RETROCESSO HIStÓRICO: PARTE II

 

Que pensa o povo?

As pessoas oscilam entre a decepção, a resignação e a cólera. Alguns exemplos:

A Polônia foi a nação que se deu melhor com a transição. Neste país tão católico o comunismo jamais teve vida fácil. Entretanto, 44% dos poloneses de hoje julgam o período do Bloco Socialista como "positivo". Quarenta e quatro por cento dos poloneses estimam que o socialismo é uma boa doutrina, mas que foi "mal aplicada". Trinta e sete por cento fazem uma apreciação positiva do partido comunista, que esteve no poder de 1945 a 1989. Trinta e um por cento deles se dizem descontentes com o período findo com a queda do muro. Somente 41% acham que o capitalismo ainda é um sistema melhor.

Um pouco mais para o Oeste, no território da antiga Alemanha Democrática, 76% dos alemães consideram o socialismo "uma boa idéia, mas que foi mal aplicada" e só um em cada três deles está satisfeito com a forma como funciona a democracia.

De acordo com uma pesquisa feita em 1999, 64% dos romenos preferiam viver sob o comando do premiê Ceausescu.

Na Rússia, Lênin é ainda muito popular. Sessenta e sete por cento dos russos emitem opiniões positivas a seu respeito. Apenas 15% deles falam de Lênin utilizando termos negativos.

Há milhares de insatisfações e o potencial de revolução é grande. As feridas do passado estão ainda abertas e a confusão ideológica ainda é grande, mas não se afasta a idéia de que, em um futuro próximo, se regresse ao socialismo, mas desta vez, "bem aplicado".

Os males típicos do Terceiro Mundo

Desde a instauração do capitalismo, a Europa Oriental parece cada vez mais formada por países do Terceiro Mundo.

A décima parte dos habitantes dos antigos países do Bloco Socialista está desnutrida. Na Rússia, uma criança em cada sete sofre de desnutrição crônica.

Pela primeira vez em 50 anos, o analfabetismo reapareceu.

A tuberculose está novamente tão disseminada como no Terceiro Mundo.

O número de casos de sífilis na Rússia, em 1998, era quarenta vezes maior que o de 1990.

A esperança de vida dos russos de sexo masculino passou de 63,8 para 57,7 anos, entre 1992 e 1994. Na Ucrânia diminuiu de 65,7 para 62,3 anos.

Desde 1992, o número de alcoólatras duplicou na Rússia.

Para cada 100 casos de gravidez, há 60 abortos na Rússia. A conseqüência é brutal: 6 milhões de mulheres são estéreis.

O número de suicídios na Polônia aumentou em 25%. Em alguns países da ex-URSS dobrou.

O número de crimes, na Bulgária, é quatro vezes maior que em 1989. Na Hungria e na República Tcheca triplicou. Na Polônia, aumentou em 60% o número de assassinados. Noutros países, em até 250%.

Moral da história: o comunismo na URSS não era perfeito, e tampouco esteve perto da ideologia marxista, mas era melhor que essa merda neoliberal.

Em vermelho: Leandro Medeiros.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 11h04
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Clichês e Cachaça (não necessariamente nessa ordem)

Desde que a humanidade descobriu este negócio de ano completo, 365 dias, Terra girando ao redor do Sol, a coisa se repete. Chega o fim desse ciclo, somamos as imensas besteiras que fizemos e as minúsculas  vitórias, fechamos para balanço e prometemos a nós mesmos que no ciclo seguinte faremos minúsculas besteiras e teremos imensas vitórias. Tudo devido àquelas promessas que não vamos cumprir, pois com o efeito da champanhe achamos tudo fácil demais ! Até chegar Janeiro e os problemas baterem na nossa porta.

Acalmem-se, não estamos sendo pessimistas. Inclusive, concordamos com o Drummond, a passagem do Ano Velho pro Novo serve como um reabastecimento. Você deixa todo seu cansaço do ano pra trás e ocorre o milagre da renovação. Suas energias são recarregadas para encarar mais 12 meses de ralação.

É importante dizer também que o Reveiilon brasileiro eh diferente também de todos do mundo. Está intimamente ligado ao carnaval...tanto que o país funciona em marcha lenta entre as 2 festas. Nossa vontade é de emendar a porra toda e soh voltar ao trabalho depois de tudo, na maior ressaca do mundo.

Tanto porque os outros feriados nem se comparam, exceto pela semana santa, que tem também algumas folias pelo país. Mas os setes de setembro e os quinzes de novembro só servem pra dar uma passadinha na praia mesmo. Depois da Semana Santa, vivemos entediados o ano todo, até chegar de novo o Reveillon.

Ih, acho que descobrimos, sem querer, o porquê de terem sido criadas as Micaretas. Foi por necessidade. Ninguém aguenta esperar ateh o próximo Ano Novo/Carnaval...

Enfim, para não acabarmos fugindo muito do assunto: Um Ano Novo cheiiioo, lotaddooo de clichês para todos vocês. Vocês sabem neh, Saúde, Felicidade, etc etc.


São os votos de Leandro Medeiros e Victor Mendonça.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 14h49
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É natal!!!!! Foda - se......

Arnaldo Jabor



   

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Papai Noel só existe nos shoppings luminosos

Ele já tinha sido Rei Momo num bloco da periferia, tinha pegado dois anos de cana por assalto a um posto de gasolina em Diadema, tinha se arrependido, virado evangélico; depois, descreu, foi figurante de filme de sacanagem, no papel de diabo no meio de uma suruba no inferno, e, agora, era Papai Noel. Quando o contratou por uma mixaria, para a semana pré-natalina, o homem do shopping center achou-o meio sem graça mas, por sua imensa barriga e a vasta barba suja, concluiu que dava um Papai Noel legal.

“Com uma boa lavagem nessa barba, dá pra quebrar o galho”, disse-lhe o homem do shopping, como se lhe fizesse um favor. “Você vai ficar sentado aí no meio desses veadinhos de plástico, põe as crianças no colo e faz-lhes sempre as perguntas: ”Que você quer ganhar no Natal?“ Aí, a criança fala e você diz que ela tem de ser obedientezinha, que não pode sacanear a mamãe e o papai, não pode dar porrada na irmãzinha mais moça e aí... você passa a mão na cabecinha dela e ri bem alto: ‘Ho, Ho, Ho!’ Faz...”.

“Faz o quê?” — perguntou o candidato a Papai Noel.

“Ri!”.

“Ho, ho, ho”.

uma bosta, parece que você está tossindo! De novo!”.

“Ho, ho, ho!”

“Melhorou, mas treina em casa. Deixa eu cheirar. Não pode estar fedendo nem ter mau hálito, pois você é o bom velhinho e tem de falar com as criancinhas sem cheirar mal. Você vai ter de ficar aqui de 1h até as 8h da noite, sentado, pode sair para mijar ali adiante e fazer cocô, claro, mas vai andando lentamente e disfarça porque fica feio Papai Noel se cagando pelos banheiros do shopping. Depois, lava as mãos e volta, para não ficar contaminando os nenenzinhos. Outra coisa que não pode é ficar olhando para as mães gostosas que forem falar com você. Muitas mães vêm de calça justinha e barriga de fora, com aquela tatuagem aparecendo no rego da bunda, na altura dos rins, mas não pode perguntar que tatuagem é aquela nem o que ela quer para o Natal, se ela gosta de peru ou se vai ter rabanada na mesa, nada disso, tem de fazer cara de bonzinho, só dando risadinha. Tem também umas meninas mais grandinhas, de 12, 13 anos, que gostam de sentar no colo do Papai Noel só de sacanagem; elas vêm em grupos e ficam rindo e sentando no seu colo, umas já têm uns peitinhos grandes e coxinhas bonitas, mas você finge que não percebe nada, pois tem umas que têm um perfume divino, uns cabelos lindos e gostam de ficar fazendo festinha nas barbas do Papai Noel. (Ele bem que sentiu esse perfume e esses dedinhos juvenis em seu rosto nos dias seguintes, mas obedeceu o cara...) E toma cuidado também com uns garotões filhos-da-puta que ficam puxando a tua barba, perguntando se é de verdade... Não pode empurrar o menino do colo e tem de rir ‘ho, ho, ho’ e dizer suavemente: ‘Existo, sim’. E também não pode paquerar babás gostosas que se amarram em Papai Noel, a fim de descolar um presente, não sei que porra elas vêem em papais noéis, mas é verdade... (Ele até cantou uma, quando o segurança não estava olhando, mas ela fugiu rindo: ‘Eu, hein, Papai Noel? Tu broxa!’...) Aliás, no fim de semana, vem aí uma Mamãe Noel fazer par com você... (Foi o maior pesadelo, pois a Mamãe Noel ficava se esfregando nele, dando-lhe beijinhos chilreados na frente das criancinhas, e ele só no ho, ho, ho... Foi uma barra, mas a Mamãe Noel foi despedida porque chegou duas vezes bêbeda) E tem mais: naquela loja ali tem um Papai Noel que a gente não contratou porque é muito magro, que vai ficar passando aqui e vai te sacanear, chamar você de ”veado“; não reage....

É isso aí... parabéns... você é o Papai Noel desse shopping. Olhe em volta, veja que palácio enorme, todo de mármore cor-de-rosa e corrimãos dourados, cúpula de cristal, sinos tocando, veja a enorme árvore de Natal... Você tem uma missão importante: vender esperança a essa gente toda e fazer com que elas gastem grana aqui! Aqui só vem bacana... Capricha que, se você for legal, ano que vem tem mais!”

Tudo que Valdecir dos Santos, o novo Papai Noel, disse para o homem do shopping foi: “Falou!”. Afinal, ele precisava dos oitentinhas por dia que lhe pagariam, pois o homem falou que era o máximo que dava para pagar, pois “os papais noéis hoje em dia estão pela hora da morte...” e ele concordou constrangido, se sentindo mais barato. Mas, tudo bem... Ia faturar uma graninha boa em uma semana. Experimentou a roupa, treinou o riso no espelho e estreou no dia seguinte. No inicio, sua risadinha saía rouca, trêmula. Perguntava o que o menino queria para o Natal e, diante da resposta de “roupa do Power Ranger ou máscara de Homem Aranha”, ficava tímido e mudo, constrangendo as crianças e mães. Mas, aos poucos, pegou jeito e chegou a cantar “Noite feliz” para umas babás gostosas que riam de barriga de fora.

Mas o homem do shopping não previra tudo que aconteceria na semana, como os punks doidões que lhe beliscaram e fugiram correndo com seu saco, perseguidos pelo segurança, ou o menino que lhe mijou na roupa vermelha e berrou que o bom velhinho estava mijado, tendo ele de ir correndo ao almoxarifado secar a calça, só de cuecas, casaco e gorro.

No fim do primeiro dia, recebeu sua graninha, botou sua roupa civil, pegou o ônibus que o levou até a periferia, onde saltou e foi direto ao boteco. Sentou na mesinha e ficou tomando uma cerveja, olhando a cidade iluminada ao longe. Dentro, uma negona de porre cantava um rap maluco imitando a dança da garrafa sob o olhar morto dos bêbedos do balcão. Valdecir dos Santos ficou olhando o escuro, tomando cerveja.

Foi dormir no quartinho alugado no fundo do boteco e dormiu mal, acordando no meio da madrugada, doido para voltar ao trabalho, quando se sentiria de novo festejado, bajulado, beijado, respeitado por todo mundo. Dormiu mais um pouco de manhã, e sentiu no sonho as mãos de adolescentes afagando-lhe a barba, perfumadas, sentadas no seu colo. De novo no ônibus, ansiava por chegar logo ao shopping rosa-e-ouro, onde passaria o dia a prometer felicidade a todos com seu “ho, ho, ho”.


 Escrito por Mensageiros da revolução às 15h20
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Piovani e os meninos de rua (não necessariamente nessa ordem)

Sinal de trânsito. Rio de Janeiro, 14h. Você derrete em seu carro sem ar-condicionado, mas que lhe custou um dinheiro razoável devido aos altos juros e pelo alto valor do seguro hoje em dia. Na sua frente, um jovem negro jogando 3 bolinhas sujas de tênis pro alto. O que passa pela sua cabeça? Culpa? Pena? Indignação? Aí você dá R$ 1 e se sente absolvido. Vai embora, pensando que fez a sua parte. Ou então nada dá. Arranca com o carro, pois têm certeza que em breve ele será mais um bandidinho.

 

Os meninos de rua cariocas e fluminenses são apenas uma pontinha da falha do Estado, da incompetência, da falta de vontade, do populismo. Daquele que fornece refeição à R$ 1, e só. Alguém já cantou: “a gente não quer só comida”. E aqueles que têm uma família de 7 pessoas... 7 reais por dia, mais a passagem de ônibus todo dia? E a janta? Lanche? Enfim, as necessidades básicas que todos têm direito, afinal, está na Constituição. Se nem o Estado é capaz de cumpri-la, por que cobra que seus cidadãos cumpram as leis?

 

O que tentam fazer é tirá-los do nosso ângulo de visão, pois “trazem uma imagem feia à cidade”. Quem não se lembra daquela operação policial para tirá-los da Zona Sul? Alguns ainda afirmam: “não adianta fazer nada, eles voltam pras ruas” e se calam. Claro, abrigos imundos, sem liberdades, tratados como prisioneiros. Se existe algo que o ser humano nasceu para, é SER LIVRE. É um Direito Natural!

 

Queria chamar a atenção pro que estamos criando: antes, eles eram invisíveis aos nossos olhos. Todos fingiam que eles não existiam e passavam sem nem olhar para seus olhos. Hoje, eles podem sentir o nosso temor apenas em encará-los de longe. E assim, cultivam um estranho orgulho por os outros achá-los “perigosos”. E acabamos tornando-os mesmo.

 

E os nossos legisladores? Transformam todos os planos para acabar com os meninos de rua em utopias ! Ninguém faz nada concreto, imediato. Não constroem abrigos decentes, colégios que funcionem, que forneçam refeições decentes, não colocam projetos inteligentes em prática. Aí, aquele cidadão que reclama todo dia que todo político é ladrão, não confia mais na política, vai na Urna e anula todos os seus votos. Ele acaba tendo apenas UM direito: o de ficar calado.

 

E o apartamento lá de Copacabana coloca uma faixa assim: BASTA ! Ele diz isso pra quem? Pro traficante? Pro policial? Pro Garotinho? Pra Deus? Lá dentro tá a madame, xingando a empregada enquanto remexe em suas jóias de ouro ! Não existe milagre, ele não vai vir do céu. Depende de todos, principalmente desses trancados em seus cafofos de luxo. Quem sou eu, que escrevo muito e pouco faço ? Realmente não faço diferença nessa cidade, mas tenho consciência de que a solução tem de passar pela reforma profunda dos métodos, do ataque ao problema, uma reforma em nossa mentalidade e burocracia. Nosso drama é que as pessoas não entendem o problema. A reforma não vai acontecer dentro da miséria. Os ladrões não vão dar as mãos e serem bonzinhos. Depende de nós fornecermos condições de vida pelo menos parecida com a nossa.

 

Tenho que entrar nessa porra dessa ALERJ !

 

 

Leandro Medeiros.

 

 

Quem sabe assim vcs comentam né???



 Escrito por Mensageiros da revolução às 22h03
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Aceita Vale - Transporte?

Caros visitantes:

A história que venho lhes contar é verídica e aconteceu extamente na cidade de Duque de Caxias, mais exatamente no distrito de Campo Elíseos (Champs Elysées) e quando a ouvi fiquei estarrecido.

Essa região é bastante pobre, seus moradores carecem das suas necessidades mais básicas como moradia, alimentaçaõ, infra - estrutura de transporte, saneamento, embora nesta região se localize a importante Refinaria de Petrólia da Petrobrás (REDUC). Minha mãe é professora da rede municipal de ensino de Duque de Caxias e me contou um casa que me chocou. Dois alunos da escola, inclusive um deles com aproximadamente nova anos de idade e alguma afetação mental, moravam com sua mãe. Até aí, normal. A mãe estava sem trabalhar e com muita dificuldade de manter seus filhos e a si própria. Ela resolveu que deveria tomar alguma atitude então decidiu que ia dar as crianças a alguém que as criasse. Apareceu uma outra mulher, também de origem bastante humilde, que queria ficar com as crianças. A mãe das crianças querendo se aproveitar do interesse da outra mulher quis algo em troca de seus filhos. A mulher, sem condições financeiras ofereceu alguns vales - transporte. O incrível é que a mãe aceitou trocar as duas crianças por vales transporte. A que ponto uma pessoa pode chegar... esse é o tipo de coisa que é difícil de engolir ainda mais hoje em dia, pleno século 21, em um país onde podemos ter acesso às mais variadas informações, com um número de Internautas que se compara a países de 1º mundo. O pior é que a mulher que pegou as crianças tambem não possui condição para criá - las. As crianças se alimentam apenas na escola, pois em casa não há comida. Então você pensa: "Ainda bem que a escola pode oferecer boa merenda a seus alunos!". A escola costumava oferecer boa merenda, mas isso deixou de acontecer depois do resultado das últimas eleições municipais. O autal prefeito (Zito) tinha como seu candidato à prefeitura Laury, o qual perdeu as eleições para o rival de Zito, Washington Reis. O prefeito não gostou do resultado das urnas e resolveu tirar o fim do mandato para castigar seu povo. A escola não recebe mais a quantidade necessária de alimentos para oferecer refeições diariamente a seus alunos. Esse menino que ia para escola já pensando na refeição por várias vezes chega na escola e vê apenas um prato vazio. Quando isso acontece a criança entra em estado de desespero e chora, se revolta em sala com a professora e diz: "Poxa, não tem merenda, eu tô com fome e em casa não tem comida." Os professores da criança afirmam que quando isso acontece a criança se torna inclusive agressiva com seus colegas e os professores com pena dão seus lanches para esse aluno.

É, vida bandida. Uma só história e muitas desgraças, numa realidade insólita e que acontece bem aqui perto de nós.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 17h54
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Mentiras à la carte

Hipocrisia – sf. 1. Afetação de virtude ou sentimento que não se tem. 2. Fingimento, falsidade

 

Mentira – sf. 1. Ato de mentir; impostura; fraude; peta, potoca, lorota. 2. Engano dos sentidos ou do espírito; erro, ilusão.

 

Omitir – v.t. 1. Deixar de fazer, dizer ou escrever; não mencionar. P. 2. Não agir quando se esperaria que o fizesse.

 

Quantas vezes você ouve ou lê essas palavras na nossa mídia? Uma vez num dia? Nenhuma?

Essas palavras não estão presentes, mas todos os dias nos deparamos com elas. Todos os dias estão cheios de hipocrisias, mentiras e omissões. E a nossa luta é identificá-las e lutar contra elas!

 

Abaixo, três mentiras engolidas por nós todo dia...

 

1. Remédios só fazem bem. - Todos os dias aparecem atores fingindo ser médicos na TV, aconselhando o consumo desse ou daquele produto. Além de incentivarem a perigosa automedicação, estimulam o consumo desenfreado de remédios. Só que as pessoas nunca param pra pensar que os remédios são drogas, e também possuem efeitos colaterais. Estima-se que 1.000 americanos morrem por ano devido a complicações pelo uso indiscriminado de aspirinas pra dor de cabeça. Não se fala também que, quanto mais vc toma remédio pra dores de cabeça, menos o seu corpo fica resistente nas próximas vezes, levando a pessoa a utilizar-se de doses cada vez mais fortes. O Tylenol é acusado de causar problemas nos rins de mais de 5.000 pessoas nos últimos anos. Ninguém duvida que os remédios curam, mas eles devem ser encarados como drogas que só devem ser usados em casos emergenciais.

 

2. A erva é natural, não pode fazer mal. - Apesar de ser uma frase muito cantada pela banda Planet Hemp, a qual considero muito inteligente em muita das vezes, nesse caso é uma mentira. Quantas plantas encontradas na natureza são venenosas? Na nossa própria Amazônia existem mihares de plantas/frutos que podem nos matar se ingeridas. A cannabis afeta sim a nossa saúde, e é tão perigosa e viciante quanto o cigarro. Causam bronquite, asma e aumentam o risco de câncer no pulmão, sobretudo pelo fumo ser inalado de forma mais profunda. Causa também diminuição da testosterona, o que pode levar a complicações nos adolescentes. Causa apatia, leva ao isolamento, assim como qualquer droga. O cigarro então, mata 3 milhões de pessoas por ano, e até o ano 2020 matará 30 milhões de pessoas, segundo a Org. Mundial da Saúde. Sobretudo pelo aumento da propaganda estimulando o hábito por ser sinônimo de “elegância e independência”. Querem fumar, fumem. Só não finjam que não sabem que estão morrendo mais cedo.

 

3. Vegetarianismo é saudável. - Não, não é. Nosso corpo necessita de proteínas, e elas estão presentes nas carnes. Somos seres carnívoros, não devemos negar nosso instinto animal. O vegetariano no fim das contas acaba menos saudável do que os outros, mostrando alto grau de insuficiência alimentar.

 

Continuarei trazendo mais mentirinhas dessas pra vocês nos próximos posts !! Dêem sugestões nos comments !



 Escrito por Mensageiros da revolução às 19h16
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A Teoria dos Babacas

Na minha aula de direito do consumidor, meu ilustre professor, o Dr. Jorge Tardin (um dos fundadores do PROCON) falou que ele sonha em escrever um livro: "A teoria dos babacas" ou algo parecido. O livro fala de nossos impulsos consumistas autalmente tão cultivados pelo capitalismo. Porque queremos aquele celular coloridinho que toca música da Kelly Key? Aquele velhinho não está falando do mesmo jeito que esse? E o pior é que nós compramos tecnologias com prazo de validade. SAbemos que daqui a um ano nosso celular será praticamente um lixo tecnológico, facilmente superado pelos modelos mais básicos, o cúmulo da obsolecência programada.

A classe média vive a disputa das garagens. Os vizinhos medem forças mostrando os carros que podem comprar. Quem demora mais de dois anos pra tocar de carro acaba virando alvo de comentários do tipo: "- João está ficando pobre! Já não compra outro carro a uns 3 anos" "-Ele vai ver só a pick up que eu vou comprar!"

E no final das contas sempre somos feitos de babaca pagando um preço cujos nossos bens não valem, buscando uma inexplicável satisfação social.

Eu infelizmente também sofro desse mal: Keria morar em Ipanema, ter um Audi TT, um celular que falasse todas as línguas do mundo, uma TV de plasma de 800 polegadas e um som tão potente que pudesse arrancar a roupa das mulheres... tantas coisas!!! Mas é preciso bom senso! Não vou ficar deprimido por não ter isso. Devo buscar forças pra trabalhar e lutar por uma sociedade em que as pessoas não acumulem riquezas, mas sim uma sociedade em que todos tenham reais possibilidades de realizar seus mais íntimos desejos.

Pra finalizar um dado pra assustar a galera: Se todo chinês tivesse um consumo semanal médio igual ao consumo diário médio de um americano o mundo entraria em colapso já que não haveriam recursos pra atender a essa demanda.

Vamos refletir sobre nossos hábitos!! (você deve estar pensando: "- Falar isso é muito fácil!"

 



 Escrito por Mensageiros da revolução às 00h21
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Blues da Piedade...

"Agora eu vou cantar pros miseráveis que vagam pelo mundo derrotados. Pra essas sementes mal plantadas, que já nascem com cara de abortadas. Para as pessoas de alma bem pequena, remoendo pequenos problemas, querendo sempre aquilo que não tem.

Pra quem vê a luz, mas não ilumina suas mini-certezas, vivem contando dinheiro e não mudam quando é lua cheia. Pra quem não sabe amar, fica esperando por alguém que caiba em seus sonhos, como varizes que vão aumentando, como insetos em volta da lâmpada...

Quero cantar só pras pessoas fracas que estão no mundo e já perderam a viagem...Vamos pedir piedade, pois há um incêndio sob a chuva rala, somos iguais em desgraça, vamos cantar o blues da piedade.

Vamos pedir piedade, senhor piedade, pra essa gente careta e covarde. Vamos pedir piedade, senhor piedade, lhe dê grandeza e um pouco de coragem."

 

Recebi vários e-mails falando mal do Cazuza, que ele era um drogado, viado, que deveria ter sido preso, banido da convivência social.

Eu acho muita babaquice desmoralizar um cara por ele ter sido homossexual e utilizar-se de drogas. Quantos atores de TV, outros "artistas", pessoas formadoras de opinião, diretores de empresas, etc etc não fazem o mesmo ?? A música acima eu considero uma resposta, escrita pelo próprio Cazuza, à essas pessoas idiotas que não enxergam um palmo à frente, preso em dogmas e morais tão antigas e ultrapassadas quanto ao título Estadual do RJ em 1926 do time da Figueira de Melo (São Cristóvão, São Cristóvão/Teu passado é tão cheio/Aos teus rivais inspiras sempre receio).

Nem peço que Deus tenha piedade desses (tanto pq não sei ele existe ou intervém em algo), peço que NÓS tenhamos piedade dessas pessoas que só andam de cabeça baixa, entregues ao mundo sem lutar por nenhuma mudança, que podem até enxergar a luz no fim do túnel, mas não dá um passo sequer nessa direção. E assim, entendermos o nosso papel de cooperação e ajudar-nos a superar nossas dificuldades. Nunca seremos perfeitos, mas podemos trilhar muito melhor nossos caminhos.

Só pra acabar:

"Sejamos fortes. Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho"

Mahatma Gandhi.

 

 

Postado por Leandro Medeiros.



 Escrito por Mensageiros da revolução às 17h44
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